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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sobre a Reforma

por Carolina Ferraresi 
 
Nota rápida, para que não cometamos injustiças ou erros: a Reforma e Ampliação da Fundação das Artes está prometida, por parte da Prefeitura e de seus representantes, para março de 2012. Este foi o resultado de nossas conversas com o ex- Chefe do Gabinete, Cicarroni, e os vereadores Paulo Pinheiro e Sidão da Padaria. Segundo nos informaram esses, a Reforma estará mais do que viabilizada neste período. No último dia 20 de outubro, foi entregue nosso abaixo- assinado com mais de 2.000 assinaturas, que serão anexadas ao nosso processo de pedido de Reforma. Todos estão avisados de que, descumprido o acordo verbal, que contou com a participação de alunos da Fundação e do Viva Arte Viva, nossas solicitações terão legitimidade para uma campanha mais agressiva, como a Manifestação Pública. Até lá, resta-nos a confiança em nossos representantes.

Obrigada a todos pela ajuda e não deixem de continuar arrecadando assinaturas!

Carolina Ferraresi é integrante da turma 46 do curso de teatro da FASCS.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Hamlet pós-moderno

Fernanda Amalfi

Certa vez, em um dos muitos ensaios de teatro que estive, o diretor deu uma orientação para a turma que sempre me vem a cabeça: “Não finja ser, seja”. Durante horas a fio, a instrução era sempre a mesma. Não pareça ser, não queira ser, seja. Seja o vingativo Hamlet, seja a apaixonada Julieta, seja o ingênuo Orgon ou a emancipada Nora. Ali, o “como se fosse” não existia.

E ser ator é isso. É a profissão do ser. Num primeiro momento, um ser querendo ser um outro ser pode soar estranho, mas, diante da platéia, o intérprete não finge ser, ele é. Pleno. Inteiro. É a tal presença cênica, frequentemente citada nas críticas de jornais. O bom ator é presente, seguro. Aquele que, durante uma hora e meia, não é um, mas outro. Não é ele, mas a personagem. Seres descolados, diferentes.

Fora dos palcos, a realidade parece outra, mas é muito mais parecida com as peças de teatro do que imaginamos. Ou desejamos. Somos e, ao mesmo tempo, não somos. É como uma gangorra, um eterno ser e não ser. 

Durante um só dia, vestimos diversas máscaras. De José vira o empresário, que vira o cliente, que vira o investidor, patrão, motorista, marido... Por sua vez, Maria vai de advogada à dona de casa em pouquíssimas horas. Personas. Personagens. Nunca um ser.Diante da “era tecnológica”, o dilema de Shakespeare, do século XVII, ainda me parece adequado: “Ser ou não ser, eis a questão”. O Hamlet pós-moderno quer ser muitas coisas ao mesmo tempo, mas não se dá conta que só finge ser. Engana-se diante de tantos “seres”.

Todo mundo tem a necessidade de ser alguma coisa, de ser alguém, e ninguém nunca pensou em simplesmente ser. Ser um ser. E o pior é que poucos se dão conta que já se é.

...

Fernanda Amalfi é formanda da turma 45 de
teatro pela Fundação das Artes e formada 
em Jornalismo pela Faculdade Casper Líbero.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ascensão sem queda do processo de Mahagonny - uma despedida.


  "E aí? O que você achou de hoje?" Essa era a pergunta mais ouvida nos camarins após cada apresentação de Ascensão e queda da cidade de Mahagonny, feita pelo pessoal da turma 45. E em cada noite, cada um tinha uma resposta diferente pra essa pergunta. Uns falavam mais, outros menos, uns eram mais críticos, outros mais brandos. No entanto, nesse último sábado, dia 22 de outubro, essa pergunta não foi feita... A única coisa que se podia perceber no semblante de todos aqueles que, de alguma forma, participaram do processo Mahagonny era uma precoce, mas inevitável, saudade que, nos olhos dos mais sensíveis, se expressava por meio de lágrimas e, nos rostos dos mais contidos, surgia na forma de um sorriso que parecia dizer "estou aqui apenas, como um ator, representando a nostalgia que está atrasada" ou então "sou a melhor forma que meu portador encontrou para dizer: obrigado por tudo, sentirei saudades!". Pois é... O cenário era desmontado pela última vez, a maquiagem era removida pela última vez, o destino dos figurinos eram decididos já que não voltariam para o cabide a fim de serem reutilizados na apresentação seguinte. Enfim, tudo o que era feito, deixava de ser uma simples ação do cotidiano daquele processo e se convertia numa espécie de ritual de finalização - e, por que não dizer, de passagem, uma vez que, ao mesmo tempo que algo chegava ao seu fim, o vislumbramento de novos caminhos, de novos processos, já batia às portas da consciencia daquelas pessoas que há mais de três anos haviam decidido ingressar em um curso de formação de atores e atrizes e agora se aproximavam de seu fim. E, a partir de toda essa experiencia, várias são as questões que irrompem do pântano das inquietações...

O que é estar "formado"?
O que muda, afinal?
Sou, agora, um ator?
O que faço com tudo isso?
Valeu a pena?

Obviamente, esperar que transformações bruscas e imediatas venham à tona só porque se chegou ao fim de um ciclo é pura ingenuidade quando se leva em conta que, numa perspectiva fractal, esse ciclo nada mais é do que uma ínfima parte num processo muito maior chamado vida. Mas, reflexões existenciais a parte, e nesse momento, como orgulhoso integrante da turma 45, posso dizer que "nos apaixonamos e desapaixonamos várias vezes" por tudo e todos e que, acima de tudo, aprendemos pra cacete com todas as experiências que atravessamos - ou seria, que nos atravessaram? Enfim... (e mais "enfim" do que nunca):

Meus sinceros agradecimentos por tudo o que vocês me proporcionaram. Inevitavelmente, levarei todos comigo!
Desde já, saudades

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

por Carolina Ferraresi

A luta pela Reforma na Fundação das Artes: últimas notícias

Nas últimas semanas, seguiram as negociações dos alunos pelo Movimento “Cultura é Educação”, com a Prefeitura de São Caetano do Sul, requerendo a reforma e ampliação da Fundação das Artes. No dia 13 de Setembro, alguns alunos se dirigiram à Câmara dos Vereadores da cidade, com o intuito de entregar a carta solicitando a Reforma. Fomos atendidos pelo assessor do vereador Paulo Pinheiro, Fernando, que nos pediu que retornássemos na semana seguinte, para conversarmos diretamente com o Vereador. Assim como o combinado, os alunos se dirigiram novamente à Câmara, e conversarm definitivamente com o vereador, que foi bastante receptivo e se mostrou solidário à causa. Lá, reafirmamos nossa intenção de entregarmos o abaixo- assinado e uma possível Manifestação Pública, caso nossos pedidos não fossem atendidos.

Uma semana depois, recebemos a notícia de que o sr. Paulo Pinheiro havia saído de seu Partido, o PTB, e seus funcionários haviam sido exonerados. Desta maneira, nossa preocupação agora era deixar claro que nossa luta não é partidária, e resolvemos conversar diretamente com o Chefe do Gabinete do Prefeito, Luiz Antonio Cicaroni, e o Presidente da Câmara dos Vereadores, Sidnei Bezerra, o Sidão da Padaria. Os alunos deixaram claro que nossos pedidos são de interesse público, e que nossa razão de procurá-los foi estabelecer um diálogo entre nós e o Prefeito.

Depois de nossa conversa, o vereador Sidão prometeu conversar com o Prefeito, e já nos adiantar uma resposta. No dia seguinte, como prometido, retornou o contato, e nos adiantou que a Reforma sairia, em março de 2012. Também sabemos que apenas a Reforma da Fundação não é de nosso interesse, se for esse o objetivo do Prefeito. Nossa luta é muito mais pela ampliação da Escola, para que ela possa oferecer conforto, acessibilidade universal e segurança para seus alunos, o que não é possível atualmente, dadas as condições já explicitadas anteriormente, e que não se cumprirá simplesmente com uma reforma.

Não iremos esquecer o prometido, e acompanharemos de perto as reuniões das Sessões da Câmara pelo fechamento do Orçamento para o ano que vem. Sabemos que uma data prometida não é garantia de cumprimento por parte da Prefetura, e devemos nos assegurar, oficialmente, da Reforma.

No próximo dia 8 de outubro, iremos realizar a contagem das assinaturas e ter uma prévia delas, às 10 horas, na Fundação das Artes. No dia 15 de outubro, já está agendado um Mutirão para conseguirmos mais assinaturas, e iremos até o Centro da cidade para arrecadá-las.

E assim, continuaremos acompanhando e fiscalizando a atuação dos responsáveis pelo bem-estar dos alunos da Fundação das Artes. Continuem acompanhando as próximas notícias.

Carolina Ferraresi é integrante da turma 46 de teatro da Fundação das Artes.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Por que a Fundação das Artes de São Caetano do Sul deve ser reformada?

Reforçando o post anterior da Ferraresi, segue um breve histórico do movimento que os alunos e a comunidade em geral tem feito em prol da reforma da Fundação e também o levantamento de algumas das principais agravantes que no âmbito da infraestrutura comprometem as atividades da escola.

A Fundação das Artes de São Caetano do Sul (FASCS) comemorou em abril 43 anos de atividade artístico-cultural na cidade, tendo oferecido, ao longo de sua história, formação técnica a muitos artistas dos mais diversos segmentos da arte como música, dança, teatro e artes plásticas. Além disso, na esféra sócio-cultural, oferece cursos livres de iniciação às artes para todas as idades. Produz, também, uma vasta programação cultural que vai desde espetáculos de dança e exposições de artes plásticas, entre outros, até um festival de teatro que, por meio de espetáculos, oficinas e bate-papos, há dez anos tem fomentado e aprofundado na região a reflexão acerca do fazer teatral. São essas algumas das ações que, ao longo de seus 43 anos, a Fundação tem implementado, passando pelas dimensões artística, cultural, social e educativa. No entanto, a escola tem passado por uma situação bastante incômoda e preocupante.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Prometeu, cumpriu: a luta pela reforma na Fundação

Por Carolina Ferraresi

No dia 13 de setembro de 2011, eu, Carolina, e outros alunos, colegas do curso de Teatro Profissionalizante da Fundação das Artes, nos dirigimos até a Câmara de Vereadores de São Caetano do Sul. Nosso objetivo era entregar uma carta aos Vereadores, pedindo nossa tão aguardada reforma do prédio. Nosso prazo de resposta é de um mês, caso contrário, iremos cumprir nossa promessa de Manifestação Pública, em data a ser definida, provavelmente no mês de Outubro ou Novembro.

A seguir, nossa carta, na íntegra, que foi entregue à Câmara:

“Viemos, através desta, e representando os alunos da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, apresentar-vos esta petição e formalização dos últimos acontecimentos, a fim de que seja apresentada uma solução para o impasse em que nos encontramos, explicitados a seguir.

É sabido pelos moradores da cidade, e pelos alunos da Fundação das Artes, que uma reforma no prédio estava prevista em breve. O ano era 2009, e publicamente, o projeto de reforma foi anunciado. Dois anos se passaram e ainda, alunos e moradores de São Caetano esperam por esta reforma, sem obter das autoridades uma resposta veemente.

No dia 11 de abril de 2010, uma reportagem no Diário do Grande ABC prestou homenagem aos 42 anos da Instituição, e anunciou a reforma, que era prevista para o ano passado, e contava ainda com a reinauguração do prédio e a mudança do nome da escola para Milton Andrade, artista que dirigiu a Fundação por 16 anos.

Segundo a reportagem, em 2011 teríamos uma nova escola. Projeto aprovado, pedidos apresentados, e corremos o risco de o orçamento para 2012 ser fechado, sem termos, ainda, nenhuma previsão de reforma.

Como alunos da Escola, podemos afirmar, baseados em nossa experiência, o quanto esta reforma se faz emergencial. Estamos em setembro, em plena mudança de estação. As apresentações no teatro da Fundação das Artes já sofreram inúmeros ataques de siriris, insetos que, posteriormente, tornam- se cupins, e ameaçam a estrutura do prédio. Uma visita de um biólogo à escola já foi realizada, e a única solução para o problema seria uma reforma. Além disso, são mais de 1.500 alunos que estudam na Fundação. Um prédio que hoje não comporta a quantidade de alunos que possui e nós, que estamos prestes a nos formar na Fundação, sofremos com a falta de salas de aula, por isso muitas vezes temos de procurar locais alternativos ou nos contentarmos em ficar sem aula. Salas, inclusive, que não foram feitas estruturalmente para alunos de arte. Temos que competir o espaço e o silêncio, fundamental para quem faz arte, com alunos de dança e música. Não existe isolamento acústico, salas apropriadas para dança, vestiários e banheiros adequados. Como Instituição de Ensino de artes, a escola deveria receber o mesmo investimento dado às outra escolas do município que no último ano, por exemplo, entregou laptops a seus alunos numa ação mais de marketing do que educacional. Reivindicamos não apenas uma estrutura que comporte a quantidade de alunos existentes, mas que atenda a pessoas com necessidades especiais, com rampas de acesso, elevadores, etc.

É de conhecimento de todos que a Fundação das Artes não é apenas de seus alunos, e sim de toda a população da cidade. Projetos como o Viva Arte, o festival Cena de Teatro e a Mostra da Fundação das Artes trazem pessoas dos mais diferentes lugares para São Caetano, elevando a estima e valor da cidade. A Fundação das Artes é reconhecida no país inteiro como um dos maiores nomes na formação de artistas. A reforma não é apenas nossa, mas é de todos.

O ano que vem se anuncia como um ano de muitas decisões e escolhas- o voto é uma delas. Foi através dele que os representantes da cidade foram escolhidos, e através do voto, seus cidadãos devem reivindicar as melhorias para a cidade. Assim, pedimos, através desta carta, que nos seja apresentada uma resposta, em 30 dias (ou seja, até o dia 13 de outubro), para nosso pedido de reforma, e caso não haja resposta, ou seja ela contrária às nossas reivindicações, que seja legitimado nosso direito à Manifestação Pública. O prazo de 30 dias deve ser respeitado, pois sabemos que em novembro o orçamento para 2012 é apresentado e fechado.”

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Esta é a hora de cobrarmos posições claras das autoridades. Com união e força, conseguiremos nossos objetivos. Nos vemos daqui um mês, com o resultado de nossos pedidos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Juliano Marciano vence concurso de dramaturgia do CCBB


Ex aluno da Escola de Teatro, Juliano Marciano, formado pela turma 36, foi o vencedor do concurso de dramaturgia Seleção Brasil em Cena 2011 do Centro Cultural Banco do Brasil - RJ.
O texto Não me diga adeus foi selecionado, em primeiro lugar, entre 252 textos concorrentes e tem estreia prevista para 9 de novembro de 2011 no próprio CCBB.

Parabéns, Juliano!

1º lugar - Não me diga adeus, de Juliano Marciano (São Caetano do Sul - SP)
2º lugar - Um é multidão, de Carlos Correias Santos (Belém - PA)
3º lugar - Queridos convidados, Marcela Moura (Rio de Janeiro - RJ).

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Meu primeiro estágio na Fundação

Por Joelma Schmidt

Há alguns dias atrás, fui convidada pela Suelen Almeida para fazer técnica no exercício cênico da turma 47, "Maçã". Como as provas estavam terminando aceitei, no dia da estréia cheguei três horas antes para receber as instruções, já estavam na metade do último ensaio geral, aquele corre de sempre e ainda faltava apertar vários parafusos...

Quando me entregaram o roteiro, confesso que bateu uma insegurança, pois eu daria suporte para a Érica Arnaldo na bilheteria, tarefa não muito simples, pois como o processo tratava da busca pela identidade, a retirada dos ingressos era feito dentro de uma Kombi antiga, onde, ao som de Edith Piaf, o público passava por um processo de identificação recebendo um novo RG.

A segunda tarefa era apoio no corredor, avisar a Lu quando deveria entrar, apagar o refletor quando Marcelo atravessasse a porta, recolher as roupas da Lu que seriam jogadas no corredor, ajudar aThalita a soltar a fita do cabelo passar a mesma no encosto da cadeira que ela usaria, dar um laço, quando uma escada saísse eu deveria cortar o elástico, varrer os cacos dos pratos que em determinado momento seriam quebrados no corredor (o barulho dos cacos sendo recolhido fazia parte da cena), descer um lance de escada acender o refletor da Thalita, subir, ascender o refletor do corredor e por último aparecer na porta e dizer: Boa noite meu nome é Joelma Schmidt sou atriz, mãe e gosto de varrer pratos (o varrer pratos fica por conta da minha ‘criativides’).

Foi paulera! Mas estou muito feliz! Fui muito bem recebida, conhecia apenas duas pessoas da turma, identifiquei-me tanto com o processo que me senti parte dele. Espero ter sido útil.

E você? Qual a sua utilidade?

Muito obrigada à Melissa Aguiar e turma 47



Joelma Schmidt é aluna do curso profissionalizante de Teatro da Fundação das Artes e integra a turma 50. Quer ver seu texto aqui? Mande para teatrofascs@gmail.com.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Crueldade

Por Danielle Spina

O homem nunca pode parar de sonhar. O sonho é o alimento da alma...

Muitas vezes, em nossa existência, vemos nossos sonhos desfeitos e nossos desejos frustados, mas é preciso continuar sonhando, senão nossa alma morre...

O bom combate é aquele que é travado em nome dos nossos sonhos. Quando eles explodem em nós é com todo vigor - na juventude - nós temos muita coragem, mas ainda não aprendemos a lutar. Depois de muito esforço terminamos aprendendo a lutar, e então, já não temos a mesma coragem para combater.

Por causa disso, nos voltamos contra nós mesmos, e passamos a ser nosso pior inimigo. Dizemos que nossos sonhos eram infantis, difíceis de realizar ou fruto de nosso desconhecimento das realidades da vida.Matamos nossos sonhos porque temos medo de combater o bom combate.

O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo. As pessoas que nada faziam, estavam sempre cansadas, não davam conta do pouco trabalho que deveria realizar, e se queixam constantemente que o dia é curto demais

O segundo sintoma da morte de nossos sonhos são nossas certezas, porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a nos julgar sábios, justos e corretos no pouco tempo de nossa existência.

E finalmente, o terceiro sintoma da morte de nossos sonhos é a PAZ. A vida passa a ser uma tarde de domingo, sem nos perder em grandes coisas e sem exigir mais do que queremos dar. Achamos que estamos maduros, deixamos de lado as fantasias da infância e conseguimos realização pessoal e profissional.

Quando renunciamos aos nossos sonhos e encontramos a paz, temos um pequeno período de tranquilidade.

Mas os sonhos mortos começam a apodrecer dentro de nós, e infestar todo o ambiente em que vivemos, começamos a nos tornar cruéis com aqueles que nos cercam e finalmente passamos a dirigir esta crueldade contra nós mesmos. Surgem as doenças e as psicoses . O queríamos evitar no combate - a decepção e a derrota - passa a ser o único legado de nossa covardia.

E um belo dia, os sonhos mortos e apodrecidos tornam o ar difícil de respirar e passamos a desejar a morte, a morte que nos liberte de nossas certezas, de nossas ocupações e principalmente daquela terrível paz da tarde de domingo.


Danielle Spina é aluna do curso profissionalizante de Teatro da Fundação das Artes e integra a turma 46. Quer ver seu texto aqui? Mande para teatrofascs@gmail.com.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Por Joelma Schmidt


Fazer
Pensar
Criar
Comunicar
Brincar
Jogar
Lutar
Amar
Aceitar
Pausar
Organizar
Respirar... Sim, saber respirar é fundamental, assim como o teatro é fundamental na minha vida!



Joelma Schmidt é aluna do curso profissionalizante de Teatro da Fundação das Artes e integra a turma 50. Quer ver seu texto aqui? Mande para teatrofascs@gmail.com.



terça-feira, 21 de junho de 2011

“O Último Carro” e a Turma 46

Por Carolina Ferraresi


Às vésperas de nossa estreia do Quinto Período na Fundação das Artes, nós, da Turma 46, deparamo- nos com a realidade e o impacto daquele texto em nossas próprias vidas. O texto, escrito por João das Neves na década de 70, é uma metáfora sobre o Brasil como um trem desgovernado. Além disso, retrata a realidade do país e seus tipos mais comuns: o operário, a prostituta, mendigos e trabalhadores, idosos e jovens, que se encontram em um mesmo e único lugar: o trem.

E qual a importância deste texto ainda hoje? Bem, durante nossos laboratórios, que realizamos durante o Semestre, e enquanto gravávamos os depoimentos e entrevistas nas estações, éramos levados a reconhecer os personagens daquele trem. A senhora que nos contou sobre sua vida, e a sofrida vida de sua filha enquanto dependia do transporte e acordava às cinco da manhã; o trabalhador que não tinha outra opção a não ser o trem; o grupo de jovens que usa o trem para ir para o trabalho, e aos finais de semana, para lazer; a mãe que utilizava o trem com seu filho; dentre outros, que eram exatamente o universo de que fala João das Neves.

No mês de junho, na fase final de nosso trabalho, tivemos de enfrentar mais um contratempo por conta do transporte público, e que nos levou de volta novamente ao “O Último Carro”: a greve que atingiu o ABC e a cidade de São Paulo, nos trens, metrôs e ônibus. A maioria de nossa turma depende desse serviço básico e todos foram afetados pela greve. Semanas mais tarde, um acidente entre um ônibus, que despencou de um viaduto em São Caetano do Sul, e colidiu com o trem que passava logo embaixo, novamente nos jogava na cara tudo aquilo de que fala o texto: estamos todos dentro de um trem, que descarrila em direção à morte.

Respondendo à pergunta feita anteriormente, e tendo em vista todos esses fatos acontecidos recentemente, podemos dizer que, sim, o texto é ainda muito atual. Todos nos identificamos com seus personagens e suas vidas. Estamos todos dentro deste mesmo trem. Alguns assumem o controle da situação, outros se deixam levar. Mas temos uma coisa em comum: seu destino final. Saber o que fazer durante seu trajeto é o que nos difere, e apenas isto.



Carolina Ferraresi é aluna do curso profissionalizante de Teatro da Fundação das Artes e integra a turma 46. Quer ver seu texto aqui? Mande para teatrofascs@gmail.com.



"O Último Carro"  estréia neste final de semana e terá  cinco apresentações. Confira as datas:
25/06 (sábado), às 20h30
26/06 (domingo), às 20h30
27/06 (segunda-feira), às 20h30
02/07 (sábado), às 20h30
03/07(domingo), às 20h30.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Macenda - Uma estrela cai do céu

Por Cristina Chicon

"Diante da morte todas as resoluções se dissolvem. As ações tornam-se inúteis, as paixões cessam. Só o amor permanece.
Naquele dia senti minha alma prestes a se dissolver, repelindo o corpo agora estranho. Estou morto - um suicida - o que torna a minha história mais interessante."


O que seria Macenda? Macenda é uma cidade do reino de Mifusgar. Ainda não entendeu? Então espere, vou explicar.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

por Thalita Maragon

Expliquem-se
Digam
Expliquem-se
Discorram
Peçam
Beijem-se
Toquem-se
Transem
Envolvam-se
Separem-se
Constituam
Aleijamento não o tem
Mêdo do outro, medo de mim,do que, de quem...?
Assumam que andam me perseguindo, o que precisam dizer.
Vivam sua trajetória
Pensem e se aglutinem
Aceitem a dependência mas sejam dignas de serem.
Letras.



Thalita Maragon a é aluna do curso profissionalizante de Teatro da Fundação das Artes e integra a turma 47. Quer ver seu texto aqui? Mande para teatrofascs@gmail.com.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Abajur de Angústia

por Felipe Jóia

Um homem sentado numa escrivaninha, iluminado pela luz de um abajur. Ele se perde em seus pensamentos ao mesmo tempo em que aquela luz oscila em seu rosto. Seu rosto tem uma expressão de angústia e seus olhos estão fixos naquela luz como se estivesse hipnotizado. Suas mãos estão postas uma sob a outra tentando disfarçar aquela inquietação.

Seus pensamentos estão longe, perdidos em algum lugar daquele luz branca amarelada que sai pela cúpula do abajur. Uma piscada profunda corta a luz que entra nos seus olhos e ele percebe que quando deixa de olhar para a luz, sua angustia se esvai.

Durante alguns segundos, o homem, que até então estava com o olhar perdido, fica com seus olhos fechados. Durante este tempo, sente uma calma por dentro, uma calma profunda que toma todo seu corpo. Mas é difícil não olhar para aquela bela luz. Algo o chama, o faz ter vontade de olhar.

Imediatamente seus olhos se abrem e ao mesmo tempo em que aquela luz entra novamente em seus olhos, preenchendo seu corpo com, a priori, uma angústia sem tamanho, o homem é tomado por uma sensação tão boa, tão agradável que por um instante esquece-se daquela angustia e sente vontade de correr pelas ruas escuras da cidade iluminada. Correr sem rumo e sentir o vento fresco da noite bater em seu rosto.

Todos os dias aquele homem espera incessantemente o dia acabar, espera cair a noite, para ver aquela luz novamente.


Felipe Jóia foi aluno do curso profissionalizante e se formou em 2009 com a turma 41. Está em cartaz como ator convidado do espetáculo Arritmia e é artista-orientador do Programa Viva Arte Viva. Quer ver seu texto aqui? Mande para teatrofascs@gmail.com.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sobre a participação da Turma 45 na Mostra Experimentos 2011

Por Roberto Kroupa

Sobre a participação do exercício de pV da Turma 45, Não – A trajetória de um homem que só sabia dizer sim, na Mostra Experimentos 2011 do TUSP.

Não somos um grupo de teatro, não nos escolhemos para “trabalharmos” juntos, somos, simplesmente, uma turma de teatro da Fundação das Artes de São Caetano do Sul que se iniciou no segundo semestre de 2008 com vinte integrantes e concluirá sua trajetória no segundo semestre de 2011 com nove pessoas. Somos, ora um mosaico de disparidades tonais infinitas, ora uma massa homogênea capaz de exultar o mais sincero senso de coletividade e companheirismo. E é, justamente, essa segunda característica que é aguçada quando nos vemos diante da oportunidade de levar um de nossos exercícios para além dos portões da Fundação.

Outro espaço, outro público, outros ares e, diante de toda essa novidade, uma apreensão que traz, ao mesmo tempo, o medo do desconhecido e o desejo de levar o melhor de nós a quem quer que seja. Em todo caso, uma experiência empolgante e revitalizadora para a turma.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ópera do Vivos

Por Rodrigo Sampaio



Levei meu caderninho. Às vezes gosto de fazer anotações ao longo do espetáculo, mas essa prática tem se mostrado algo de prejuízo. Afinal, baixar os olhos para escrever significa perder partes, mas também garante um certo distanciamento necessário aos estudantes de teatro.

sábado, 9 de abril de 2011

Paixão por Teatro

 Por Monize Crepaldi

Nós, os estudantes de teatro, somos seres privilegiados, a diversidade com a qual vivemos nos transforma em homens e mulheres prontos para mostrar ao mundo a que viemos. Um batalhão de seres humanos viscerais, emotivos e diversificados. A Arte é divergência, diálogo e diversão.

A desventura de ser artista é de viver em um mundo que existem outras prioridades, a arte é produto e o artista é também proletário se tornando um operário de ideias. O ator é uma engrenagem que unida a tantas outras, formam uma máquina chamada espetáculo.

O teatro é a arte da intuição e há também racionalidade, o teatro é ambíguo, pelo simples fato que o espectador está ali para participar de uma realidade momentânea, há um pacto silencioso entre espetáculo e plateia, ali são atores, são seres humanos representando outros seres e o objetivo é fazer com que o espectador acompanhe o espetáculo e aproveite o melhor.

Ser espectador de uma peça exige disciplina e “alma limpa”, em conjunto com os atores, todos devem estar prontos e as três batidas de Molière anunciam o que está para acontecer.

Uma das coisas mais deslumbrantes que existe é presenciar o artista entregue ao seu papel, o ator que assume pra si mesmo a importância de seu trabalho é aquele que enriquece a Arte, a plateia quer ser conquistada, seduzida ou simplesmente quer se divertir.

Quando vou ao teatro, espero sempre o melhor! Atores prontos (Sempre Shakespeare). Esta é a célula fundamental do teatro, o ator, tudo acontece para que ele dê o seu melhor e para que a plateia se surpreenda e sinta, não importa se ri ou chora, mas que haja emoções verdadeiras e que o ator esteja unido às lágrimas ou risos.

Estou pronta! Este fim de semana serei espectadora (outra parte do todo) e estou ansiosa para participar do espetáculo.


 
 
Monize Crepaldi é aluna do curso profissionalizante de Teatro da Fundação das Artes e integra a turma 45. Quer ver seu texto aqui? Mande para teatrofascs@gmail.com 

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ainda se ouve esse grito quando se passa pelo lugar

Um pequeno ensaio sobre Peter Brook e o Théâtre des Bouffes du Nord
por Sérgio de Azevedo

O pequeno teatro, fechado pelos inúmeros tapumes, ficava no subúrbio da grande capital. Há anos ele procurava um lugar especial.
Soubera dele por sussurros e murmúrios que vinham pelo vento. Foi para lá numa tarde qualquer.
Quando chegou, tudo parecia afastá-lo. Ele insistiu. Arrancou as madeiras mais baixas, se arrastou pelo pó ali acumulado havia anos.

Chegou ao pequeno palco. Ao erguer o corpo e depois os olhos nada viu... De repente tudo viu...
O que realmente viu não chegou aos olhos e sim aos ouvidos: aqui é o meu lugar.
Eram as vozes impregnadas naquelas paredes que lhe diziam isso. Tão intensas que poderiam, naquele momento, ser tocadas.
As vozes atravessavam seus olhos, seu corpo. Elas eram as próprias sensações que sentia.

Teve a certeza de que seu papel era dar vida àquelas vozes. E criar novas, as que se juntariam aos muitos séculos de estórias grudadas àquelas paredes intensas.
O suor escorria de seu rosto. Quando a primeira gota tocou o chão, ele já não sabia se era mesmo suor ou era uma lágrima.
O som dela tocando o chão – da lágrima ou do suor, não se sabe – foi sua primeira contribuição para aquele teatro que seria, dali em diante, sua nova morada.

Tempos depois, quando todas as madeiras haviam sido retiradas, quando o pó havia deixado o chão de histórias, o teatro foi reinaugurado.
As paredes eram as mesmas de séculos atrás.
Cobertas apenas por uma resina transparente, as muitas vozes ainda lançavam ao ar ecos de todas as vidas ali vividas.

Ele sorriu.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sobre as experiências do Núcleo de Pedagogia do Teatro

Leia o relato de Sérgio de Azevedo sobre as experiências do núcleo de Pedagogia do Teatro!